sábado, 30 de dezembro de 2006

O que rolou de melhor em 2006. Tá aqui!

2006 foi um ano em que, na música, dinossauros lançaram ótimos discos, o hype continuou e no rock nacional, ficou provado que os melhores trabalhos surgem do mercado independente. No cinema, diretores consagrados recuperaram a velha forma, HQs ganharam ótimas versões e um filme brasileiro despontou como o melhor dos últimos tempos. De resto, rolaram decepções, alegrias, confusões e afirmações. Tudo nos conformes. A seguir, uma lista ( com breves comentários) do que rolou de bacana (ou não, em alguns poucos ítens) nesse ano que teve Copa frustrante para brasileiros, a reeleição de inúmeros deputados acusados de corrupção, atentados do PCC e caos nos aeroportos. Só a cultura pra nos alegrar e salvar mesmo. Qualquer discordância é bem-vinda, pois a lista é pessoal e passional, e jamais definitiva. Não estranhem se a ordem das escolhas daqui estiver diferente de outros espaços que eu tenha votado. Eu mesmo me pego querendo mudar a ordem dos eleitos a cada minuto.

MUSICA

Melhor Álbum Nacional
Big Gilson lançou um CD (que chegou de última hora por essas bandas e desbancou o Gardenais do primeiro lugar) em parceria com o falecido The Wolf, em interpretações de arrepiar, passeando pelos diferentes tipo de blues com competência e energia. Gardenais fez um trabalho redondo, aliando poesia a la Lou Reed com mix de rock e MPB tipo Los Hermanos e Tom Zé. Merecem destaque a ótima produção e canções folk-pops do Barfly, as letras engraçadíssimas de Carlos Careqa, o dub feito pelo Radiola e o rockão turbinado movido por uma viola (!) distorcida do Zefirina.
Big Gilson - Chrysalis
Gardenais – Lindo Triste Mundo

Barfly – The Longest Turn
Carlos Careqa – Pelo Público
Zefirina Bomba - Noisecoregroovecocoenvenenado
Debate – EP
Prot(o) – Prot(o)
Ratos de Porão – Homem Inimigo do Homem
Radiola Santa Rosa – Duberia

Mamelo Sound System – Velha-Guarda 22
Rômulo Fróes – Cão

Melhor Álbum Internacional
Juana Molina é trovadora das boas, no melhor estilo Aymee Man e com influências de Bjork. Folk com psicodelia, toques eletrônicos. Disco do ano. Bob Dylan e Neil Young provaram que não importa a idade para fazer bom rock e Ariel e Bruce são trovadores dos melhores, cada um com seu estilo.
Juana Molina – Son
Bob Dylan - Modern Times,
Neil Young - Living With War,
Ariel Minimal - Un Día Normal en el Maravilloso Mundo de Ariel Minimal
Bruce Springsteen - We Shall Overcome / The Seeger Sessions,
The Raconteurs - Broken Boy Soldiers,
Josh Rouse - Subtitulo,
Camera Obscura - Let’s Get Out Of This Country
Tv On The Radio - Return To Cookie Mountain,
Killers - Sam's Town

Melhor Música Nacional
O refrão da música dos Gardenais é demais e as letras de Carlos Careza e de TPM do Zefirina são impagáveis. Já a parceria Big Gilson/The Wolf alcança um nível assombroso em que partes lembram Johnny Cash na clássica "Folsom Prison Blues" e até um quê de Ian Curtis.
Ele Não Pensa em Mais Nada (Gardenais)
Chrysalis - Big Gilson
Agora Eu Só Quero (Carlos Careqa)
TPM – Zefirina Bomba
Lospi Gospel, Los Pirata
Cadafalso (Debate)

Melhor Música Internacional
Nada como ver Neil Young desancando George W Bush e pedindo a queda do presidente.
Let's Impeach The President – Neil Young
Rio Seco – Juana Molina
Working Man Blues Nº 2, Bob Dylan
A Los Amigos - Ariel Minimal
When You Were Young - Killers

Revelações
A banda santista e o músico paulistano possuem propostas musicais completamente diferentes, e mostram talento no caminho que pretendem seguir. A banda, com seu som alternativo, e o rapaz, com o pop redondo. Ponto pra eles.
Salad Star e
Jorge Quase (nacionais) e
Juana Molina (internacional).

Melhor show nacional

Big Gilson já foi elogiado por B.B. King, faz ótimas turnês fora do país e ao vivo coloca fogo no público. Zélia Duncan e Adriana Calcanhoto emocionaram platéias cada uma a sua maneira e Jair Rodrigues sabe entreter, além de cantar pra cacete e só ter clássicos no set list.
Big Gilson (abril.06 / SESC Santos)
Zélia Duncan – março (turnê do Pré-Pós-Tudo-Bossa- Band)
Ludov (maio)
Jair Rodrigues (agosto)
Adriana Calcanhoto (outubro),
Los Pirata (fevereiro),
Bidê ou Balde (julho)
Banda Black Rio (maio),
Wonkavision (maio)
Indie Festival
(setembro)

Melhor show internacional
Sem palavras para descrever mais de um milhão de pessoas acompanhando o quarteto de tiozinhos ingleses. As lágrimas escorreram felizes. Já o Oasis provou que, ao contrário do que críticos sizudos dizem, são capazes de fazer um ótimo show e até serem simpáticos.
Rolling Stones em Copacabana (fevereiro)
Oasis em São Paulo (março)

Festival
Esse festival mostrou que quem corre atrás, é capaz de fazer um evento bacana. Bandas amigas que emprestam equipamentos umas as outras, tocam de graça e fazem barulho do melhor.
Indie Festival (Santos)

Selo/Gravadora
Montro Discos (Brasil) e Azione Artigianale (Argentina)

Sites de música
Empate técnico entre os nacionais Scream & Yell, PoppyCorn, e Rock Press.
Allmusic (Internacional)

CINEMA

O cinema, como disse Rubens Ewald Filho em entrevista, não passa por uma grande fase, mas ainda assim 2006 teve seus bons momentos. V de Vingança é crítico e redondinho, ótima adaptação da HQ e possui uma crítica esperta ao tipo de imperialismo que alguns países costumam impôr. Além do que, tem Natalie Portman bela e ótima como de costume. Ainda tivemos Spike Lee, Pedro Almodovar e Martin Scorcese retornando a ótima forma. Syriana e Paradise Now mostraram realidades que precisam ser divulgadas e Tommy Lee Jones estréiou bem como diretor em Três Enterros, um filme tocante.

Melhor Filme Internacional
V de Vingança
O Plano Perfeito
Paradise Now
Três Enterros
Happy Feet
Volver
A Prova
Syriana
2046
Os Infiltrados
Estrela Solitária
Bonecas Russas

Melhor Filme nacional
O Ano... é filme pra concorrer ao oscar Estrangeiro de 2008 e o melhor brasileiro dos últimos anos, lembrando em certos pontos o cinema feito na argentina de Campanella e companhia.
O ano em que meus pais saíram de férias
Anjos do Sol
A Máquina
O Sol
Os Incuráveis

Outras obras que merecem ser lembradas desse ano são O Grande Truque, X-men 3, Superman Returns, A Última Noite, Lugar para Recomeçar, Dália Negra, Obrigado Por Fumar, Mercador de Veneza, O Novo Mundo, 16 Quadras, Clube da Lua, Carros, Piratas do Caribe 2, Miami Vice, Dois Anjos, A Lula e a Baleia, A Casa do Lago, Vôo 193, Buenos Aires 100 Km, Deu a Louca na Chapéuzinho, Abismo do Medo, Cassino Royale e Uma Verdade Inconveniente. Os lixos não merecem citação.

Atrizes mais lindas
Pois é, é gosto próprio. Aliás, nem sei o motivo de colocar essa categoria, mas é só pra expressar publicamente minha admiração por essas mulheres lindas, talentosas, sexys, enfim... Sonho de marmanjo babão (risos). Rachel Weisz leva por ter ganho o Oscar de atriz coadjuvante, ser linda, talentosa e ser o tipo de mulher ideal (fisicamente claro, não a conheço pessoalmente) para o colunista. Kate Winslet além de linda, faz os filmes que quer, arrebenta e ainda segura a onda de Cameron Dias. Scarllet transpira sensualidade e marcou presença em vários lançamentos. Naomi e Jennifer são divas na acepção da palavra. Gong Li arrancou suspiros em Miami Vice, Natalie Portman não precisa de comentários e Keyra tem o nariz mais sexy do mundo. Belas, sensuais e classudas. Qualquer uma podia ser a vencedora.

Rachel Weisz
Jennifer Connelly
Kate Winslet
Naomi Watts
Gong Li
Scarllet Johanson

LITERATURA
Tanto a revista brasileira como o jornal inglês desafiam a direita, contrariam os conservadores e sempre surgem com matérias inteligentes.

Veículo impresso
Carta Capital (nacional)
Jornal The Independent (internacional)

Livros
Faltava uma biografia digna ao Rei, que queiram ou não, é a maior figura da música pop (sim, é pop!!!) brasileira. E quando o biografado não gosta, é porque o livro é melhor ainda.
Roberto Carlos em Detalhes, de Paulo César de Araújo
A Festa do Bode, de Mario Vargas Llosa

OUTROS

Piores acontecimentos do ano
A absolvição do deputado José Janene que roubou R$ 4 milhões (!!!) e os ataques do PCC (nacional)
Os eternos conflitos em Israel, Oriente Médio e a morte de Robert Altman (internacional)
Melhores acontecimentos do ano
A derrota do PFL na Bahia (nacional) e a derrota dos republicanos nos EUA (internacional)
Programa de TV
Trama Virtual, no Multishow
Lost
Para 2007
Para o Brasil, duas utopias: a prisão de todos os políticos corruptos e o fim do jabá,
No mundo, outras duas utopias: o fim de todos os conflitos políticos e religiosos e a nova revolução no rock.

Pois é. Então é isso. Mais um ano que se passa. Meu primeiro ano de colaboração com o PoppyCorn e a Rock Press. Segundo ano no Scream (comecei em outubro de 2005). Fica a expectativa de que muita coisa bacana aconteça em 2007, tanto na cultura, como na vida de todos nós. Mais shows, mais CDs, livros, filmes, amores correspondidos, enfim... Muita pipoca vai rolar!!! Abraços ao Jairo, Mac, Claudia, Cris e agora o Duda, que me dão a oportunidade de publicar meus textos, tentativas de resenhas, etc, aos amigos colaboradores e leitores. Feliz 2007!!!

sexta-feira, 29 de dezembro de 2006

Listas de melhores de 2006

Com votos deste ser, claro.
.

Pois é, fim de ano e começam a pipocar listas do que rolou em 2006. Dos sites que escrevo, o PoppyCorn e a Rock Press já estão com as listas prontas. Na RP, listão com votos de todo mundo separados, mas numa página só. Falta o Scream. No Poppy, meus votos e os da galera. E tem textos na área. Los Pirata na RP e entrevista com Rockassetes no Poppy. Abraços e te vejo antes do ano novo. :)

sexta-feira, 22 de dezembro de 2006

Walking Blues de Natal no ar!!!

Dez discos de blues com canções natalinas

A nova edição da coluna de blues da Rock Press, a última do ano, trás dez lançamentos com feras como Albert e B.B. King, John Lee Hooker, Otis Reeding, Louis Armstrong, Johnny Winter e muitos outros em canções natalinas transformadas em blues. Ainda dá pra escutar umas músicas e o disco imteiro do Rei. Tá esperando o quê?
****
Natal chegando e logo logo pinta aqui no ZC uma lista com o que rolou de melhor em 2006. Um ótimo Natal para todos, com muita paz, saúde, felicidades, harmonia, redenção e muitas reflexões sobre o que passou e para o que estar por vir. Antes do ano novo apareço aqui pra dar um alô e mais algumas resenhas de Pedro Borges, Hernán, Farsantes, Big Gilson e outras cocitas mais. Te vejo por aqui.:)

quinta-feira, 21 de dezembro de 2006

Flyer do show pronto


Post abaixo só com o desenho. Agora o cartaz/flyer completo. Feliz Natal!!!

segunda-feira, 18 de dezembro de 2006

Feliz Natal!

Esse é o desenho que fiz e que está no flyer e no cartaz do Dingo Bell Rock, solicitado pelo amigo Fábio Rogério. Tadinho no Noel...:)

Terceira Walking Blues no ar!

Entrevista com os recifenses da El Mocambo, saudades de Albert King, dicas de site e festival. Tudo na nova coluna de blues deste ser na Rock Press. Leia aqui.

domingo, 17 de dezembro de 2006

Dingo Bell Rock

Próximo sábado, 23, à partir das 20h, rola o Dingo Bell Rock, festa de estréia da banda STAR OPEN com os convidados amigos do SALAD STAR mais as bandas LOVE HAZARD, ESC e SEIPHIN.
.
Local: L´ATITTUD MUSIC BAR, AV.ANTONIO MANOEL DE CARVALHO - N°2597, em frente ao quiosque da Lagoa da Saudade, no Morro da Nova Cintra, mesmo local que rolou o Indie Festival. Entrada com ingresso antecipado a R$2 e no dia R$3. É rock baby, antes da véspera de Natal, pra encerrar o ano com chave de ouro. E para quem curte doces, lá rola um bolo de chocolate a R$ 1,50 a fatia gigantesca.:)

domingo, 10 de dezembro de 2006

Trio paulistano confirma expectativas em segundo álbum

Música: Los Pirata - La Re-Vuelta
.


Três figuraças começaram a chamar atenção da cena roqueira independente brazuca em 2001 quando concorreram na categoria Melhor Democlipe no VMB com “Nada” (que também disputou a categoria Pior Clipe). A letra, que traduz o espírito da formação, diz o seguinte: "Nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada / em mi corazón". Apenas isso. Em 2003 chegou ao mercado o primeiro álbum, intitulado En Una Onda Neo-Punque (cuja tiragem inicial de 5 mil cópias esgotada rapidamente), com dezessete faixas "costuradas com uma surpreendente profundidade temática das canções e com produção toscamente bem cuidada" (como dizia o release do trio a época). Estamos falando de Loco Sosa (baterista), Paco Garcia (guitarra e voz) e Jesus Sanchez (baixo e voz), a trupe do Los Pirata.


Forjando um som próprio que tritura country, surf-music, letras cantadas em um portunhol "castiço", latinidades, punk, rock e realizando shows completamente insanos, onde se destaca a bateria de brinquedo esmurrada por Loco, e músicas rápidas que duram no máximo três minutos, arrebataram o prêmio de Melhor Show do Ano de 2005 pelo Guia da Folha. Com o reconhecimento, foram parar no CD Vou Tirar Você Desse Lugar -- Tributo a Odair José (que também tem Paulo Miklos e Jumbo Electro, entre outros), em que interpretam a canção “Cotidiano nº 3”, e ainda foram parar no quadro “Salva Vidas” do Caldeirão do Huck com a faixa “Me Gusta (Paloma)”.


Era esperada uma continuação de En Una Onda... e eis que aportou no mercado esse ano La Re-Vuelta, mais enxuta que a estréia, e segundo os próprios músicos, adiciona elementos como “música rock, rápida, bolero, música latina e MPB mexicana (sic)". A verdade é que o Los Pirata consegue, num cenário em que novidades musicais são cada vez mais raras, forjar um rock inovador mirando suas aspirações sonoras para a cultura latina, ao contrário de seus colegas que pagam pau para o eixo EUA/Inglaterra. Mesmo a versão de “Fire”, de Hendrix, ganha ares de sarro cucaracha. Das outras quinze faixas, destaque para uma “Blackbird” (sim, a dos Beatles) incendiária, "A República de Los Bananas" (cuja letra irônica retrata nossa sociedade: ”Es un pueblo estúpido sin fuerza, sin garra, sin gana / Así es la democracia en la republica de los bananas”) e a grande música do trabalho, ”Lospi Gospel”, que já vinha sendo executada ao vivo, possui levada disco, tem melodia e refrão grudentos e versos impagáveis ("Paul is dead, ahora John is dead, George también is dead, ma Ringo no!!! Elvis está muerto, pero Jesus ressucito”). Tatá Aeroplano, do Jumbo Elektro, participa dessa e de “Macca”.


Se lixando para o esquemão mercadológico, com tarimba de palco (Loco chegou a tocar com Arnaldo Antunes), o Los Pirata confirmou as expectativas no segundo disco, que apesar de não ser tão genial como anda sendo propagado, ainda é um deslumbre de criatividade em meio às repetições que permeiam os ouvidos do país. E é muito bom. Diversão das melhores aliada à competência musical. Interessados podem acessar o site oficial e adquirir o CD.
.
Foto - André Azenha

sábado, 9 de dezembro de 2006

Metal instrumental... e não é chato!!!

Música: Elma - EP
.


Metal instrumental. A definição pode soar pura chatice aos desavisados, mas um quarteto de São Paulo surge para mostrar que o estilo pode oferecer uma boa chance aos ouvidos que não agüentam mais vocais melódicos e/ou urrados. A banda Elma solta na praça um EP com quatro faixas onde guitarras (três, gravadas na bolachinha!), baixo e bateria dialogam (ou seria melhor dizer gritam?) a serviço do barulho e da competência musical.


O baterista Fernando Seixlack e o baixista Ricardo Lopes partiram de Uberaba (MG) para São Paulo e junto com os guitarristas João Paulo e Bernardo Pacheco burilaram influências herdadas de Sonic Youth, Fugazi, metal e forjaram um som experimental, pesado e por vezes viajandão. Ficaram um bom tempo à procura de um vocalista ideal para a formação, mas como a busca nunca se definia, resolveram dar as caras a tapa, fazendo o que poderia ser um suicídio na carreira de muitos metaleiros. Abdicaram do tal vocal e permaneceram como banda instrumental.


As quatro faixas mostram poder de fogo suficientes para fazer o tradicional pogo das platéias e cabeludos chacoalharem as cabeças, como também é capaz de fazer o ouvinte ficar prostrado no quarto, refletindo sobre a vida, graças às mudanças de andamentos e timbres, e a falta de voz. Seria algo como um metal experimental alternativo, caprichando na porrada. Além das influências reclamadas pelos músicos (muito competentes, diga-se) como Melvins , Sonic Youth, Shellac, Helmet (nítica em algumas partes) e Sepultura, há um quê de Kyuss aqui, um Black Sabbath acolá, heavy tradicional, toques psicodélicos e outros beem progressivos. E nada soa chato. Pra ter uma idéia, a música mais longa ("A Maldição Encantada") dura três minutos e vinte e sete segundos. "Aposta é Aposta", "Aliados Guerreiros" e "Primeira" completam o caldeirão e juntas, as quatro não chegam a dez minutos de duração. Ou seja, diferente, alternativo, porrada e bom. O metal dos novos tempos. Fãs conservadores do estilo tendem a curtir também, afinal os riffs são cortesia para o mais fanático headbanger.


Vale destacar a arte gráfica e conceitual do CD, de Ana Starling e a masterização que ficou a cargo de John Golden, que já trabalhou com a turma de Lee Ranaldo e Kim Gordon, além de Melvins e Neurosis. Interessados no som podem acessar aqui ou a página da Amplitude (que também lançou o pessoal do Debate, já registrado no PoppyCorn), e adquirir o lançamento por R$ 10. Quem acha que o metal já tinha alcançado seu limite, tem que escutar esse trabalho. Resta esperar um CD completo, pra tirar qualquer dúvida de que o metal instrumental do Elma chegou para ficar.

Olá

Leu a matéria com Ilson, do Zefirina Bomba? Tá aqui embaixo. Ou aqui. Caso não tenha lido, leia! A história do cara é demais.
****
Assisti Estamira essa semana. Uma porrada, fotografia excelente, a la Sebastião Salgado, e a triste constatação do que a vida pode fazer com um ser humano. Assista!
****
Logo, textos novos na área. Chegando Natal e Ano Novo, e todas aquelas ladainhas de sempre. Acho que ando um pouco amargo, mas rola uma baita hipocrisia, como se todos quizessem se desculpar das besteiras que fizeram ao longo do ano. Mesmo assim, vale pra rever algumas pessoas, refletir algumas coisas e comer o pavê aqui de casa.:)
****
Queria agradecer de coração aos chapas Marcelo Costa, Jairo Souza e Fábio Rogério pela força. Quase desisti de escrever. E a querida Claudia Reitberger pelos elogios na matéria com o Ilson. Às vezes, a gente acerta.:)
É isso, abços, bjos e até mais.

sábado, 2 de dezembro de 2006

História pra contar

Entrevista – Zefirina Bomba
.
Viajar 35 horas de busão, da Paraíba ao Rio, aos 15 anos, sozinho, depois de vender uma bicicleta, pegar dinheiro emprestado e enganar a mãe, apenas para conferir o ídolo Kurt Cobain - e se sustentar em terras cariocas à base de um coquetel paraibano fornecido por uma conterrânea que conheceu na Lapa. Fazer parte de uma banda chamada Pau de Dá em Doido, ligação clandestina e protesto no Abril Pró Rock, e anos depois tocar no mesmo festival, e batizar o atual grupo com o nome da falecida empregada. Enfim, ter história pra contar é algo que conta no rock, vide Bob Dylan e Kurt Cobain, ainda mais quando a carreira está no início e é para poucos. Melhor ainda, é se o cara que conta a (s) história (s) é gente fina pra caralho, boa praça, e faz parte de uma das formações mais bacanas do atual cenário roqueiro independente. Esse cara é Ilson Barros, vocal e viola do trio paraibano Zefirina Bomba (completam o time o baixista Martim Batista e o batera Guga Almeida), que faz um som podreira, misturando punk com música regional nordestina, e segue incendiando platéias na turnê de divulgação do CD Noisecoregroovecocoenvenenado.
.
Pra ter noção do quão é gente boa, o ZC encontrou com o músico antes de um show, conversou mais de hora, só que o gravador ainda não estava ligado, afinal não era o momento da entrevista. Perguntado se repetiria tudo, topou sem problemas. A mesma se repetiu num lugar reservado por quase duas horas, sendo que a produtora da banda veio avisá-lo duas vezes que o show estava para começar, e como se estivesse no meio de amigos ele respondia: “já tô indo”. Na terceira tentativa, se mandou pro palco e disse que depois terminaria a conversa. Achando que Ilson esqueceria da promessa, eis que acabando a apresentação, ele se dirigiu e chamou para a continuação da entrevista. E o papo rolou por mais duas horas! E durante esse papo, carregando um sotaque delicioso da terra-natal, falou do início da carreira, a gravação do debute, comentou as eleições (a entrevista foi feita antes do segundo turno), a ida para São Paulo (“Conheço muito paulista que me respeitou, mas outros que me olharam, tipo: ‘você é um idiota”), o surgimento da viola elétrica que usa ao vivo e como Kurt Cobain e Bleach mudaram sua vida.
.
Entre outros assuntos, aproveitou para polemizar, criticando o início da organização da tour com outras cinco bandas realizada pela MTV e que resultou no programa MTV Banda Antes na Estrada. “Até a história se desenrolar, teve muita dor de cabeça, muito pau, foi do cacete. Aconteceram umas merdas. E as bandas queriam matar o Bruno (Montalvão, produtor). Resolvemos nós das bandas fazer. As coisas andaram”, explica. Ele ainda lembrou com carinho da ex-companheira, com quem viveu dez anos e que acabou se separando devido a distância - mas como aqui não é BBB, não vamos dar detalhes da vida amorosa do rapaz. Abaixo, segue a trajetória de Ilson, nas palavras dele próprio, sem perguntas e respostas, apenas o relato, sem edição, porque um cara que explica a letra da música “TPM” dizendo que “mulher quando tá com TPM não consegue explicar o que tá sentindo e a gente não consegue entender o que ela quer falar”, merece.
.
“Pau de dá em Doido” – O início

“Minha piração era a música mesmo. Escutava Roberto Carlos. Tinha a empregada lá de casa que era a Zefirina, que morreu. E quem gostava de Odair José, Zé Ramalho, Raul Seixas era ela. Meu pai gostava de Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro e tal. Quando eu comecei a procurar música, com dez anos de idade, cheguei com o Highway to Hell do ACDC em casa. Minha mãe é portuguesa daquelas católicas praticantes e tal, e quando ela viu o Angus com o chifre na cabeça e o rabo na mão: Você tá ouvindo isso menino?! Tomei uma surra. Depois coloquei o disco (faz o som do riff com a boca) e decidi que era isso que queria pra mim. Na época era transgressão mesmo. E achava massa porque meus amigos gostavam de metal e eu da coisa mais crua. Comecei a descobrir o punk com amigos da rua e passei a andar com os caras. Começou a chegar Ratos de Porão, Inocentes, enfim... E foi quando rolou a história do Nirvana. Um amigo meu, Túlio, foi pra gringa e voltou com o vinil do Bleach. E aí o coro comeu, senti vontade de pegar um instrumento. Foi ali que começou a idéia, ainda que sem saber direito o que fazer. Em 97 acho que comecei a ter condição de montar uma banda. Em 2003 um amigo meu mandou um MP3, não sabia tocar porra nenhuma, ainda não sei, e dissemos “vamos tirar um som”. E os caras perguntaram: “Qual vai ser o nome da banda?”. “Pau de dá em doido” (risos). Os caras: “Eita porra”. “Pau de dá em doido” é maçaranduba, madeira que não quebra fácil e tinha a ver com essa coisa de resistência e tal...”
.
Ligação clandestina no Abril Pró Rock

“E era ideológico, mas a banda era muito grande, durou um tempo, uns dois anos, gravamos umas demos, nunca lançamos nada, rodamos pelo Nordeste e fizemos algo que me orgulho muito. O Abril Pró Rock é um festival bem fechado lá no Nordeste, fechado assim, abre espaço para as bandas alternativas, mas as que tenham CD. Banda que tem demo dificilmente toca no festival. Ainda não abriram espaço pro underground como deveria ter. A realidade monetária nordestina e o custo de vida são muito baixos e a condição de investimento também. Aí fizemos uma ligação clandestina cara, foi foda. Sou ex-aluno de escola técnica, meu pai era mecânico e queria que eu tomasse jeito (risos). A escola técnica serviu pra fazer um gato no Abril pró Rock (gargalhadas). Fomos no centro de convenções na quinta, o festival começava no sábado, fomos lá arrumadinhos, perguntamos quem era o responsável e falamos: “Vai ter um espaço aqui do lado de fora que vai acontecer uma performance e precisamos de uma força de 220”. Pegamos o fio, instalamos e deixamos o ponto de 220. Um fio isolado somente. O Centro de Convenções é um galpão grande, tem o estacionamento, a bilheteria e do lado de fora tem essa área. Chegamos lá, olhamos um pro outro, chamei o segurança, falei que haveria uma apresentação. Imaginamos o seguinte. Quando tivéssemos tocando a primeira música, ia sair alguém do festival, ia chamar alguém da apresentação, que chamaria alguém da polícia, que prenderia a gente na segunda ou terceira música. Mas quando começamos a tocar, a galera começou a juntar, quando vi que tocamos a segunda e a terceira, subi no amplificador e comecei a discursar. “Esse festival reacionário e bla bla bla....” Enfim, em 2005 toquei no festival com o Zefirina (risos). Ironia. Mas foi engraçado porque naquela época era uma reação... Tudo começou com o Pau de dá em doido”.
.
O Nome da banda


“Tinha a Zefirina que era a lavadeira lá de casa, eles perguntaram qual o nome da banda e eu falei: ‘tenho o nome, Zefirina Bomba’. Eles: ‘como assim?’ Zefirina é um nome comum no Nordeste, e quando era pequeno ela batia o lençol que fazia um baita estrondo e me assustava e eu pirralho de 5, 6 anos, comecei a chamar Zefinha Bomba. E o nome remete a isso, a Paraíba. O Bomba remete a explosão. Pra Paraíba o nome era legal e quando viemos pra São Paulo que o povo estranhou. Sabíamos que haveria essa barreira. A galera usa muito nome inglesado”
.
A Gravação


“Em 2003 um amigo meu mandou pra (Carlos Eduardo) Miranda um MP3 da banda e era ‘Sobre a Cabeça’ e Miranda retornou . ‘Véio, tem mais som dessa banda aí?’ E por um acaso estávamos indo pro MADA, que era em maio e seríamos a primeira banda do primeiro dia e claro, não tinha ninguém. Miranda deixou de jantar pra ver a gente, pra ver o interesse do cara, e sacou a da banda e disse: ‘vocês estão perdidos aí, vão pra São Paulo, vamos manter contato’. Em 2004, ele chamou a gente pra conversar no Recbeat e chamou pra gravarmos. Entramos no estúdio lá em Recife e gravamos”.
.
Letras


“As letras são um pouco ‘anarco’, têm poesia concreta, são artesanais, meio João Cabral de melo Neto. A idéia era fazer uma coisa meio curta e grossa assim, a gente via que tinha muita banda contando história demais, falando muito. E na verdade, eu sempre fui meio reacionário, a ponto de estar ouvindo uma coisa que tá rolando demais, e resolver fazer completamente o contrário. Eu não me conformo, não consigo me conformar e aí, uma das primeiras músicas que a gente fez foi ‘Sobre a Cabeça’, a segunda foi ‘Vá se Foder’, que não era pra ter letra, porque quando você tá mandando uma pessoa se foder, você não quer nem saber o que você tá dizendo pra ela e o pior é a pessoa que nunca entende o que você falou. Então essa música tem essa idéia dadaísta, um monte de ruído esbravejando mesmo. Daí começou o conceito. ‘TPM’ não era pra ter uma letra completa; porque mulher quando tá com TPM não consegue explicar o que tá sentindo e a gente não consegue entender o que ela quer falar. Então as frases começam e não terminam. A idéia é não ter concessão com o som, não fazemos concessão com música. A gente toca e vê no que vai dar. Ás vezes vem o ritmo primeiro, outras vezes é a letra. ‘Vá se Foder’ veio primeiro a idéia, depois a base. ‘O Que Tem Pra Tu Ver Na TV’ foi tudo junto”.
.
O Sudeste

Os caras aqui são formadores de opinião, a gente vê que as coisas começam sempre por aqui, a política tem centro forte aqui. A gente vê que São Paulo, Minas, Rio, centralizam tanto a economia como a opinião pública. O que eu acho engraçado é que a cultura consegue se desvenciliar disso. A Tropicália tinha os baianos, se misturaram com os paulistas, Tom Zé, Mutantes, e a coisa rolou. No rock nacional também rolou uma descentralização. Em Literatura vejo José Lins do Rego, que é paraibano, João Cabral de Melo Neto que é pernambucano, Ariano Suassuna... Mas todas essas pessoas, sem exceção, vieram pra cá. Eu vejo isso como uma questão cultural mesmo. As pessoas acabam vindo pra cá e supervalorizando o que existe aqui. Já as pessoas daqui tão cagando, ficam: ‘são um bando de ignorantes’. O que vem pra cá é a nata, só a nata vem pra cá. Os caras se esquecem que São Paulo é a cidade mais miscigenada do mundo cara, que é feita de italianos, japoneses, nordestinos, de todo lugar. Aí você começa a pensar quem realmente é filho só dessa terra. Existe uma história por trás. Minha mãe veio de Portugal... Conheço muito paulista que me respeitou, mas outros que me olharam, tipo: ‘você é um idiota’. Mas isso acontece tanto aqui como lá. O legal é termos cabeça aberta e tentar não julgar ninguém”.
.
Eleição


“Vou justificar meu voto, porque estou em São Paulo, tô meio que tirando o meu da reta (risos). A gente vê assim. Sempre existiu corrupção no Brasil e o PT não conseguiu encobrir legal o que rolou de corrupção. Lula mesmo disse que vai deixar as CPIs rolarem e sabemos que com o PSDB já rolava essa roubalheira, mas era mais ‘bem feita’. Chegou a um ponto em que nenhum dos dois candidatos vale o voto. Tipo esse programa do Bolsa Escola, ajuda familiar, essas coisas lá no Nordeste, pelo custo de vida, têm impacto maior do que em São Paulo. Então com R$ 30 já adianta alguma coisa. Tem gente que sobrevive com R$ 50. Isso em São Paulo não existe. Então esse apadrinhamento, de passar a mão na cabeça do governo, cola lá. E acho que a esquerda lá, o PT, Fred Zero Quatro (que disse publicamente que votaria em Lula) que é um cara mais integrado á política que eu, deve ter uma visão melhor. Na minha visão, sei que isso é um paleativo. Por que esses caras não geram emprego? Acabei dando valor a muita coisa na vida, porque minha família tinha situação financeira boa, e após o confisco da poupança, na era Collor, meu pai teve um derrame e quebramos completamente. Perdemos quase tudo e mudamos de Recife pra João Pessoa, em que o custo de vida era menor. Antes era só um tênis estar ruim que meu pai comprava outro, depois passei a ficar dois , três anos com o mesmo e passei a dar valor a essas coisas. Virei anarquista. Mas graças a Deus, lá em casa, as pessoas estão vivendo em condição digna. Aqui em São Paulo, vivo da banda. Tem vezes que cortam a luz, é macarrão todo dia, enfim...”
.
Kurt Cobain

“Foi o cara que me fez sentir vontade de pegar um instrumento pra tocar. Essa é a interferência dele na minha vida. Depois vendo o cara, a postura dele, o que ele queria fazer, o que não queria pra banda, até as influências dele, passei a ouvir mais blues porque ele gostava de Leadbely, e comecei a entender mais a coisa. Mas essa minha ligação com ele é foda porque veio do nada. Ouvia rock e um amigo meu trouxe um vinil, o Bleach, sem saber o que tava trazendo e de primeira ao ouvir a primeira música do disco (imita o riff da música) achei massa e a voz do cara impressionava. Depois, entendendo o que ele dizia - ‘você não se incomode, eu não queria estar aqui’ - .pensei: ‘esse cara tá falando pra mim’. Acho por isso que o Nirvana aconteceu. O Kurt não era um guitarrista habilidoso, mas externava sentimento. Eles tinham uma máquina ali e o músico era o Dave Grohl que nunca teria sido reconhecido se não tocasse as músicas do Kurt Cobain. Um ajudou o outro. E ele me inspirou muito. Não que eu queira tocar do jeito que ele tocava, mas a forma como ele expressava o que queria dizer ficou. Depois eu descobrir outros caras”.
.
A viagem maluca – Tudo pra ver o ídolo

“Quando eu soube, em dezembro, que o Nirvana vinha pro Hollywood Rock, e eu estava juntando uma grana, não lembro pra quê, acho que pra comprar uma bicicleta, já que estava cansado de andar de ônibus, pois João Pessoa é uma cidade pequena e ficava gastando dinheiro, aí tava juntando grana, e rolou essa história do show e pensei: o que eu faço? Não tinha ninguém no Rio pra comprar pra mim e depois eu descobri que chegando lá, na hora, daria pra comprar o ingresso. Aí eu comecei a somatizar (sic) minhas coisas, vendi uns pneus do meu pai, que perguntou: pra que você quer? Eu: é pra mim (risos). Faltava ainda, hoje devem ser algo em torno de cem reais, até pouco pra época, já tinha as passagens de ida e volta, que foi a primeira coisa que eu pensei, não tinha ninguém pra ir comigo. Aí enrolei minha mãe. Disse a ela que ia passar o fim de semana numa praia a 40 km de João Pessoa e ela disse que tudo bem. Meu pai me deu um trocadinho a mais e Túlio me emprestou o resto, o dinheiro do ingresso. Fui com dois pacotes de bolacha recheada na bolsa, uma garrafinha térmica que perdi por lá, duas blusas e duas cuecas. Só (risos). Calça, tênis e fui embora. Foram 35 horas de ônibus. Cheguei no Rio numa sexta e resolvi ficar na rodoviária. Aí os seguranças passando e me vendo sentado vieram perguntar se eu estava esperando alguém. Tô não, respondi. Falei que tinha ido pro show do Nirvana e os caras falaram que se ficasse lá, seria assaltado e me indicaram ir pra Lapa, que lá tinha sempre gente, falaram pra que eu me sentasse num canto, que tinha uns vagabundos, mas que ninguém mexeria comigo. Peguei minhas coisas e fui. Cheguei na Lapa e resolvi comprar alguma coisa pra enganar a barriga. Parei do lado de uma senhora que vendia espetinho, refrigerante e perguntei o preço da Coca-Cola. Ela virou e perguntou: ‘Ocê’ é de onde? Sou da Paraíba. Tá fazendo o que aqui? Vim pro show do Nirvana. Você é da Paraíba de onde? João Pessoa. Eu sou de (carrega no sotaque) Teixeira. E começou a falar. Encontrei uma paraibana na Lapa. Ela me salvou. ‘Meu filho, senta aqui do lado, você vai ficar aqui e descanse aí’. Simplesmente pus a bolsa por baixo da blusa e fiquei ali e dormi. Já querendo amanhecer o dia, ela me acordou e disse: Olhe, tome isso aqui. Me deu um copão de 700 ml. ‘Tome isso aqui que você só vai sentir fome mais tarde’. Fiquei com esse copo até depois do show. E foi o show da minha vida. Tenho o show todinho na cabeça. Foi foda. É pena eu não ter o ingresso porque molhou tudo”.
.
A viola


“A história da viola começou por que eu queria tocar de qualquer jeito e não tinha instrumento pra tocar. Tinha em casa uma viola velha de dez cordas, e aí eu sabia que tinha viola eletrificada. Meu primo me deu um captador, e mesmo sem saber se ia prestar, peguei o captador, rasguei a viola, encaixei, parafusei, coloquei cordas de aço e foi (faz barulho de distorção)”.
.
A turnê da MTV

“Quando cheguei em São Paulo, as primeiras amizades que eu fiz foi com o pessoal do Ecos Falsos, Daniel Beleza, Rock Rocket e fizemos essa turnê da MTV pelo Nordeste. Comecei a pilhar os caras. ‘Vamos juntas as bandas, conseguir uma van, um ônibus e fazer uma tour pelo Nordeste’. Eu, Gustavo e Beleza começamos a conversar muito sobre isso e resolvemos levar o projeto pra MTV. Conheci o Bruno Montalvão, ele falou que estava fazendo um festival e a gente precisava que ele encaminhasse a idéia pra MTV e a história cresceu. Eram seis bandas dentro dum ônibus, com uma estrutura básica mas eficiente, técnico de som, técnico de luz, dois roadies, duas pessoas de produção pra desencalhar tudo. Aí se montou tudo. Conhecia umas cidades, Bruno conhecia outras. Mas assim. Até a história se desenrolar, teve muita dor de cabeça, muito pau, foi do cacete. Aconteceram umas merdas. E as bandas queriam matar o Bruno. Resolvemos nós das bandas fazer. As coisas andaram. Chegou uma hora que batemos o pé e resolvemos fazer. Não interessa de quem foi a idéia, mas o importante é que aconteceu. A Itapemirim deu o ônibus. Tínhamos suporte para banheiro, água, café. Mas o Tuba peidava direto (risos). Foram mais de trinta dias convivendo junto. Os únicos problemas que aconteceram foram externos. Um cara cismou com Felipe (Ecos Falsos) lá em Natal, quis brigar com ele. Felipe é um dos caras mais mansos que eu conheço. E em Garanhuns, Tuba mexeu com uma menina de 15 anos, que retribuiu, e o pai dela literalmente queria matá-lo. Lá é assim. Encontramos lá com o pessoal do movimento punk que vieram me chamando de traidor, mas no final: ‘não vai esquecer da gente não’ (risos). Os caras são tão escrotos que marcaram um show no outro dia, porque sabiam que divulgaríamos o show deles. O cara veio abaixando o volume da voz: ‘fala do show da gente amanhã aí cara’.
.
Fotos - Fábio Rogério