Entrevista – Zefirina Bomba.

Viajar 35 horas de busão, da Paraíba ao Rio, aos 15 anos, sozinho, depois de vender uma bicicleta, pegar dinheiro emprestado e enganar a mãe, apenas para conferir o ídolo Kurt Cobain - e se sustentar em terras cariocas à base de um coquetel paraibano fornecido por uma conterrânea que conheceu na Lapa. Fazer parte de uma banda chamada Pau de Dá em Doido, ligação clandestina e protesto no Abril Pró Rock, e anos depois tocar no mesmo festival, e batizar o atual grupo com o nome da falecida empregada. Enfim, ter história pra contar é algo que conta no rock, vide Bob Dylan e Kurt Cobain, ainda mais quando a carreira está no início e é para poucos. Melhor ainda, é se o cara que conta a (s) história (s) é gente fina pra caralho, boa praça, e faz parte de uma das formações mais bacanas do atual cenário roqueiro independente. Esse cara é Ilson Barros, vocal e viola do trio paraibano Zefirina Bomba (completam o time o baixista Martim Batista e o batera Guga Almeida), que faz um som podreira, misturando punk com música regional nordestina, e segue incendiando platéias na turnê de divulgação do CD
Noisecoregroovecocoenvenenado.
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Pra ter noção do quão é gente boa, o
ZC encontrou com o músico antes de um show, conversou mais de hora, só que o gravador ainda não estava ligado, afinal não era o momento da entrevista. Perguntado se repetiria tudo, topou sem problemas. A mesma se repetiu num lugar reservado por quase duas horas, sendo que a produtora da banda veio avisá-lo duas vezes que o show estava para começar, e como se estivesse no meio de amigos ele respondia: “já tô indo”. Na terceira tentativa, se mandou pro palco e disse que depois terminaria a conversa. Achando que Ilson esqueceria da promessa, eis que acabando a apresentação, ele se dirigiu e chamou para a continuação da entrevista. E o papo rolou por mais duas horas! E durante esse papo, carregando um sotaque delicioso da terra-natal, falou do início da carreira, a gravação do debute, comentou as eleições (a entrevista foi feita antes do segundo turno), a ida para São Paulo (“Conheço muito paulista que me respeitou, mas outros que me olharam, tipo: ‘você é um idiota”), o surgimento da viola elétrica que usa ao vivo e como Kurt Cobain e
Bleach mudaram sua vida.
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Entre outros assuntos, aproveitou para polemizar, criticando o início da organização da tour com outras cinco bandas realizada pela MTV e que resultou no programa MTV Banda Antes na Estrada. “Até a história se desenrolar, teve muita dor de cabeça, muito pau, foi do cacete. Aconteceram umas merdas. E as bandas queriam matar o Bruno (Montalvão, produtor). Resolvemos nós das bandas fazer. As coisas andaram”, explica. Ele ainda lembrou com carinho da ex-companheira, com quem viveu dez anos e que acabou se separando devido a distância - mas como aqui não é BBB, não vamos dar detalhes da vida amorosa do rapaz. Abaixo, segue a trajetória de Ilson, nas palavras dele próprio, sem perguntas e respostas, apenas o relato, sem edição, porque um cara que explica a letra da música “TPM” dizendo que “mulher quando tá com TPM não consegue explicar o que tá sentindo e a gente não consegue entender o que ela quer falar”, merece.
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“Pau de dá em Doido” – O início“Minha piração era a música mesmo. Escutava Roberto Carlos. Tinha a empregada lá de casa que era a Zefirina, que morreu. E quem gostava de Odair José, Zé Ramalho, Raul Seixas era ela. Meu pai gostava de Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro e tal. Quando eu comecei a procurar música, com dez anos de idade, cheguei com o
Hi
ghway to Hell do ACDC em casa. Minha mãe é portuguesa daquelas católicas praticantes e tal, e quando ela viu o Angus com o chifre na cabeça e o rabo na mão: Você tá ouvindo isso menino?! Tomei uma surra. Depois coloquei o disco (faz o som do riff com a boca) e decidi que era isso que queria pra mim. Na época era transgressão mesmo. E achava massa porque meus amigos gostavam de metal e eu da coisa mais crua. Comecei a descobrir o punk com amigos da rua e passei a andar com os caras. Começou a chegar Ratos de Porão, Inocentes, enfim... E foi quando rolou a história do Nirvana. Um amigo meu, Túlio, foi pra gringa e voltou com o vinil do
Bleach. E aí o coro comeu, senti vontade de pegar um instrumento. Foi ali que começou a idéia, ainda que sem saber direito o que fazer. Em 97 acho que comecei a ter condição de montar uma banda. Em 2003 um amigo meu mandou um MP3, não sabia tocar porra nenhuma, ainda não sei, e dissemos “vamos tirar um som”. E os caras perguntaram: “Qual vai ser o nome da banda?”. “Pau de dá em doido” (risos). Os caras: “Eita porra”. “Pau de dá em doido” é maçaranduba, madeira que não quebra fácil e tinha a ver com essa coisa de resistência e tal...”
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Ligação clandestina no Abril Pró Rock“E era ideológico, mas a banda era muito grande, durou um tempo, uns dois anos, gravamos umas demos, nunca lançamos nada, rodamos pelo Nordeste e fizemos algo que me orgulho muito. O Abril Pró Rock é um festival bem fechado lá no Nordeste, fechado assim, abre espaço para as bandas alternativas, mas as que tenham CD. Banda que tem demo dificilmente toca no festival. Ainda não abriram espaço pro underground como deveria ter. A realidade monetária nordestina e o custo de vida são muito baixos e a condição de investimento também. Aí fizemos uma ligação clandestina cara, foi foda. Sou ex-aluno de escola técnica, meu pai era mecânico e queria que eu tomasse jeito (risos). A escola técnica serviu pra fazer um gato no Abril pró Rock (gargalhadas). Fomos no centro de convenções na quinta, o festival começava no sábado, fomos lá arrumadinhos, perguntamos quem era o responsável e falamos: “Vai ter um espaço aqui do lado de fora que vai acontecer uma performance e precisamos de uma força de 220”. Pegamos o fio, instalamos e deixamos o ponto de 220. Um fio isolado somente. O Centro de Convenções é um galpão grande, tem o estacionamento, a bilheteria e do lado de fora tem essa área. Chegamos lá, olhamos um pro outro, chamei o segurança, falei que haveria uma apresentação. Imaginamos o seguinte. Quando tivéssemos tocando a primeira música, ia sair alguém do festival, ia chamar alguém da apresentação, que chamaria alguém da polícia, que prenderia a gente na segunda ou terceira música. Mas quando começamos a tocar, a galera começou a juntar, quando vi que tocamos a segunda e a terceira, subi no amplificador e comecei a discursar. “Esse festival reacionário e bla bla bla....” Enfim, em 2005 toquei no festival com o Zefirina (risos). Ironia. Mas foi engraçado porque naquela época era uma reação... Tudo começou com o Pau de dá em doido”.
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O Nome da banda“Tinha a Zefirina que era a lavadeira lá de casa, eles perguntaram qual o nome da banda e eu falei: ‘tenho o nome, Zefirina Bomba’. Eles: ‘como assim?’ Zefirina é um nome comum no Nordeste, e quando era pequeno ela batia o lençol que fazia um baita estrondo e me assustava e eu pirralho de 5, 6 anos, comecei a chamar Zefinha Bomba. E o nome remete a isso, a Paraíba. O Bomba remete a explosão. Pra Paraíba o nome era legal e quando viemos pra São Paulo que o povo estranhou. Sabíamos que haveria essa barreira. A galera usa muito nome inglesado”
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A Gravação“Em 2003 um amigo meu mandou pra (Carlos Eduardo) Miranda um MP3 da banda e era ‘Sobre a Cabeça’ e Miranda retornou . ‘Véio, tem mais som dessa banda aí?’ E por um acaso estávamos indo pro MADA, que era em maio e seríamos a primeira banda do primeiro dia e claro, não tinha ninguém. Miranda deixou de jantar pra ver a gente, pra ver o interesse do cara, e sacou a da banda e disse: ‘vocês estão perdidos aí, vão pra São Paulo, vamos manter contato’. Em 2004, ele chamou a gente pra conversar no Recbeat e chamou pra gravarmos. Entramos no estúdio lá em Recife e gravamos”.
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Letras“As letras são um pouco ‘anarco’, têm poesia concreta, são artesanais, meio João Cabral de melo Neto. A idéia era fazer uma coisa meio curta e grossa assim, a gente via que tinha muita banda contando história demais, falando muito. E na verdade, eu sempre fui meio reacionário, a ponto de estar ouvindo uma coisa que tá rolando demais, e resolver fazer completamente o contrário. Eu não me conformo, não consigo me conformar e aí, uma das primeiras músicas que a gente fez foi ‘Sobre a Cabeça’, a segunda foi ‘Vá se Foder’, que não era pra ter letra, porque quando você tá mandando uma pessoa se foder, você não quer nem saber o que você tá dizendo pra ela e o pior é a pessoa que nunca entende o que você falou. Então essa música tem essa idéia dadaísta, um monte de ruído esbravejando mesmo. Daí começou o conceito. ‘TPM’ não era pra ter uma letra completa; porque mulher quando tá com TPM não consegue explicar o que tá sentindo e a gente não consegue entender o que ela quer falar. Então as frases começam e não terminam. A idéia é não ter concessão com o som, não fazemos concessão com música. A gente toca e vê no que vai dar. Ás vezes vem o ritmo primeiro, outras vezes é a letra. ‘Vá se Foder’ veio primeiro a idéia, depois a base. ‘O Que Tem Pra Tu Ver Na TV’ foi tudo junto”.
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O SudesteOs caras aqui são formadores de opinião, a gente vê que as coisas começam sempre por aqui, a política tem centro forte aqui. A gente vê que São Paulo, Minas, Rio, centralizam tanto a economia como a opinião pública. O que eu acho engraçado é que a cultura consegue se desvenciliar disso. A Tropicália tinha os baianos, se misturaram com os paulistas, Tom Zé, Mutantes, e a coisa rolou. No rock nacional também rolou uma descentralização. Em Literatura vejo José Lins do Rego, que é paraibano, João Cabral de Melo Neto que é pernambucano, Ariano Suassuna... Mas todas essas pessoas, sem exceção, vieram pra cá. Eu vejo isso como uma questão cultural mesmo. As pessoas acabam vindo pra cá e supervalorizando o que existe aqui. Já as pessoas daqui tão cagando, ficam: ‘são um bando de ignorantes’. O que vem pra cá é a nata, só a nata vem pra cá. Os caras se esquecem que São Paulo é a cidade mais miscigenada do mundo cara, que é feita de italianos, japoneses, nordestinos, de todo lugar. Aí você começa a pensar quem realmente é filho só dessa terra. Existe uma história por trás. Minha mãe veio de Portugal... Conheço muito paulista que me respeitou, mas outros que me olharam, tipo: ‘você é um idiota’. Mas isso acontece tanto aqui como lá. O legal é termos cabeça aberta e tentar não julgar ninguém”.
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Eleição“Vou justificar meu voto, porque estou em São Paulo, tô meio que tirando o meu da reta (risos). A gente vê assim. Sempre existiu corrupção no Brasil e o PT não conseguiu encobrir legal o que rolou de corrupção. Lula mesmo disse que vai deixar as CPIs rolarem e sabemos que com o PSDB já rolava essa roubalheira, mas era mais ‘bem feita’. Chegou a um ponto em que nenhum dos dois candidatos vale o voto. Tipo esse programa do Bolsa Escola, ajuda familiar, essas coisas lá no Nordeste, pelo custo de vida, têm impacto maior do que em São Paulo. Então com R$ 30 já adianta alguma coisa. Tem gente que sobrevive com R$ 50. Isso em São Paulo não existe. Então esse apadrinhamento, de passar a mão na cabeça do governo, cola lá. E acho que a esquerda lá, o PT, Fred Zero Quatro (que disse publicamente que votaria em Lula) que é um cara mais integrado á política que eu, deve ter uma visão melhor. Na minha visão, sei que isso é um paleativo. Por que esses caras não geram emprego? Acabei dando valor a muita coisa na vida, porque minha família tinha situação financeira boa, e após o confisco da poupança, na era Collor, meu pai teve um derrame e quebramos completamente. Perdemos quase tudo e mudamos de Recife pra João Pessoa, em que o custo de vida era menor. Antes era só um tênis estar ruim que meu pai comprava outro, depois passei a ficar dois , três anos com o mesmo e passei a dar valor a essas coisas. Virei anarquista. Mas graças a Deus, lá em casa, as pessoas estão vivendo em condição digna. Aqui em São Paulo, vivo da banda. Tem vezes que cortam a luz, é macarrão todo dia, enfim...”
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Kurt Cobain“Foi o cara que me fez sentir vontade de pegar um instrumento pra tocar. Essa é a interferência dele na minha vida. Depois vendo o cara, a postura dele, o que ele queria fazer, o que não queria pra banda, até as influências dele,

passei a ouvir mais blues porque ele gostava de Leadbely, e comecei a entender mais a coisa. Mas essa minha ligação com ele é foda porque veio do nada. Ouvia rock e um amigo meu trouxe um vinil, o Bleach, sem saber o que tava trazendo e de primeira ao ouvir a primeira música do disco (imita o riff da música) achei massa e a voz do cara impressionava. Depois, entendendo o que ele dizia - ‘você não se incomode, eu não queria estar aqui’ - .pensei: ‘esse cara tá falando pra mim’. Acho por isso que o Nirvana aconteceu. O Kurt não era um guitarrista habilidoso, mas externava sentimento. Eles tinham uma máquina ali e o músico era o Dave Grohl que nunca teria sido reconhecido se não tocasse as músicas do Kurt Cobain. Um ajudou o outro. E ele me inspirou muito. Não que eu queira tocar do jeito que ele tocava, mas a forma como ele expressava o que queria dizer ficou. Depois eu descobrir outros caras”.
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A viagem maluca – Tudo pra ver o ídolo“Quando eu soube, em dezembro, que o Nirvana vinha pro Hollywood Rock, e eu estava juntando uma grana, não lembro pra quê, acho que pra comprar uma bicicleta, já que estava cansado de andar de ônibus, pois João Pessoa é uma cidade pequena e ficava gastando dinheiro, aí tava juntando grana, e rolou essa história do show e pensei: o que eu faço? Não tinha ninguém no Rio pra comprar pra mim e depois eu descobri que chegando lá, na hora, daria pra comprar o ingresso. Aí eu comecei a somatizar (sic) minhas coisas, vendi uns pneus do meu pai, que perguntou: pra que você quer? Eu: é pra mim (risos). Faltava ainda, hoje devem ser algo em torno de cem reais, até pouco pra época, já tinha as passagens de ida e volta, que foi a primeira coisa que eu pensei, não tinha ninguém pra ir comigo. Aí enrolei minha mãe. Disse a ela que ia passar o fim de semana numa praia a 40 km de João Pessoa e ela disse que tudo bem. Meu pai me deu um trocadinho a mais e Túlio me emprestou o resto, o dinheiro do ingresso. Fui com dois pacotes de bolacha recheada na bolsa, uma garrafinha térmica que perdi por lá, duas blusas e duas cuecas. Só (risos). Calça, tênis e fui embora. Foram 35 horas de ônibus. Cheguei no Rio numa sexta e resolvi ficar na rodoviária. Aí os seguranças passando e me vendo sentado vieram perguntar se eu estava esperando alguém. Tô não, respondi. Falei que tinha ido pro show do Nirvana e os caras falaram que se ficasse lá, seria assaltado e me indicaram ir pra Lapa, que lá tinha sempre gente, falaram pra que eu me sentasse num canto, que tinha uns vagabundos, mas que ninguém mexeria comigo. Peguei minhas coisas e fui. Cheguei na Lapa e resolvi comprar alguma coisa pra enganar a barriga. Parei do lado de uma senhora que vendia espetinho, refrigerante e perguntei o preço da Coca-Cola. Ela virou e perguntou: ‘Ocê’ é de onde? Sou da Paraíba. Tá fazendo o que aqui? Vim pro show do Nirvana. Você é da Paraíba de onde? João Pessoa. Eu sou de (carrega no sotaque) Teixeira. E começou a falar. Encontrei uma paraibana na Lapa. Ela me salvou. ‘Meu filho, senta aqui do lado, você vai ficar aqui e descanse aí’. Simplesmente pus a bolsa por baixo da blusa e fiquei ali e dormi. Já querendo amanhecer o dia, ela me acordou e disse: Olhe, tome isso aqui. Me deu um copão de 700 ml. ‘Tome isso aqui que você só vai sentir fome mais tarde’. Fiquei com esse copo até depois do show. E foi o show da minha vida. Tenho o show todinho na cabeça. Foi foda. É pena eu não ter o ingresso porque molhou tudo”.
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A viola“A história da viola começou por que eu queria tocar de qualquer jeito e não tinha instrumento pra tocar. Tinha em casa uma viola velha de dez cordas, e aí eu sabia que tinha viola eletrificada. Meu primo me deu um captador, e mesmo sem saber se ia prestar, peguei o captador, rasguei a viola, encaixei, parafusei, coloquei cordas de aço e foi (faz barulho de distorção)”.
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A turnê da MTV“Quando cheguei em São Paulo, as primeiras amizades que eu fiz foi com o pessoal do Ecos Falsos, Daniel Beleza, Rock Rocket e fizemos essa turnê da MTV pelo Nordeste. Comecei a pilhar os caras. ‘Vamos juntas as bandas, conseguir uma van, um ônibus e fazer uma tour pelo Nordeste’. Eu, Gustavo e Beleza começamos a conversar muito sobre isso e resolvemos levar o projeto pra MTV. Conheci o Bruno Montalvão, ele falou que estava fazendo um festival e a gente precisava que ele encaminhasse a idéia pra MTV e a história cresceu. Eram seis bandas dentro dum ônibus, com uma estrutura básica mas eficiente, técnico de som, técnico de luz, dois roadies, duas pessoas de produção pra desencalhar tudo. Aí se montou tudo. Conhecia umas cidades, Bruno conhecia outras. Mas assim. Até a história se desenrolar, teve muita dor de cabeça, muito pau, foi do cacete. Aconteceram umas merdas. E as bandas queriam matar o Bruno. Resolvemos nós das bandas fazer. As coisas andaram. Chegou uma hora que batemos o pé e resolvemos fazer. Não interessa de quem foi a idéia, mas o importante é que aconteceu. A Itapemirim deu o ônibus. Tínhamos suporte para banheiro, água, café. Mas o Tuba peidava direto (risos). Foram mais de trinta dias convivendo junto. Os únicos problemas que aconteceram foram externos. Um cara cismou com Felipe (Ecos Falsos) lá em Natal, quis brigar com ele. Felipe é um dos caras mais mansos que eu conheço. E em Garanhuns, Tuba mexeu com uma menina de 15 anos, que retribuiu, e o pai dela literalmente queria matá-lo. Lá é assim. Encontramos lá com o pessoal do movimento punk que vieram me chamando de traidor, mas no final: ‘não vai esquecer da gente não’ (risos). Os caras são tão escrotos que marcaram um show no outro dia, porque sabiam que divulgaríamos o show deles. O cara veio abaixando o volume da voz: ‘fala do show da gente amanhã aí cara’.
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Fotos - Fábio Rogério